Quando você está perdida na vida, mas o universo te surpreende


“O Caos”. É o que diz o post-it colado na porta do meu quarto. Também é a palavra que pode resumir minha vida ultimamente. Ou melhor, meus pensamentos. Talvez eu esteja sendo um pouco dramática, mas, independente de termos, tenho trabalhado bastante meu cérebro com pensamentos negativos. Infelizmente, eles são resultado da ansiedade de longa data que vem se acumulando como uma bola de neve na minha cabeça, sendo intensificada ainda mais pela minha procrastinação de metas e inseguranças em vários pontos da minha vida. E como consequência minha saúde, tanto física quanto mental, e minha relação com as pessoas são prejudicadas. Esse demônio que venho carregando há tanto tempo me sufoca e me limita, tira o prazer de fazer coisas simples, como jogar conversa fora com meus amigos ou simplesmente ver um filme no ônibus indo pra minha cidade.

Mas depois que tomei consciência do que está acontecendo comigo (de verdade) (e de uma conversa com um amigo) eu escolhi que não posso deixar a areia movediça me puxar pra baixo. Não posso me entregar tão fácil à ansiedade. Eu sei que é difícil, mas eu resolvi tentar me apegar as coisas que me fazem bem e, assim, me dar coragem pra passar por aquelas que atiçam meus medos. E, a partir de então, algumas coisas mudaram na minha vida. Não foram coisas grandes. Eu simplesmente comecei a me apegar a pequenos detalhes do meu dia a dia e guardá-los na minha memória como se fossem uma conquista.
Hoje, quando cheguei de viagem, passei pelo centro e avistei uma feirinha de plantas. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto delas (apesar de só saber cuidar de cactos e suculentas). Entrei e passei uns dez minutos olhando todas as opções. Escolhi duas suculentas, paguei e fui pegar meu ônibus. No caminho, o sol estava baixo, bem laranja (que dá vontade de ficar olhando, mesmo que os olhos doam) e me aquecia como abraço de mãe. Naquele momento eu senti felicidade. Me senti leve. Meus demônios não existiam ali, não naquele momento. Cheguei em casa, dentei na rede da varanda. Refleti como o universo me presenteou com uma pequena coisa que me fez sentir como uma criança ganhando um brinquedo novo e lembrei de outras vezes que eu me senti assim. Dos rolês nada planejados com meu namorado, das reuniões com minhas amigas, das conversas até altas horas com minha roomate, das vezes que eu deito no ombro da minha mãe e ela conta suas histórias de juventude e dos dias em que eu adoro minha própria companhia em contato com a natureza. E, então, eu percebi que esses momentos estavam ficando cada vez mais distantes, dando espaço apenas pra minha ansiedade e mais uma vez eu afirmei que me esforçaria pra mudar isso.
Eu ainda tenho pensamentos ruins e sei que ainda vou passar por crises, que vou chorar e que ainda vou sentir o vazio no peito. Mas eu não quero ser só isso, não quero me limitar, não quero soterrar as coisas boas. Quero lutar por elas, quero sentir o mesmo prazer que eu sentia antes. Quero agradecer ao universo pelo dia bom depois de ter xingá-lo na noite anterior. E peço paciência aqueles que convivem comigo. É uma fase. Eu vou voltar a ser ‘eu’, mas um ‘eu’ melhor. Esse post parece aqueles textos motivacionais que dizem que no final tudo vai ficar bem. Eu não quero te dizer isso e nem a mim mesma. Eu quero que você e eu tenhamos consciência de que a vida vai no permitir ter momentos ruins, de incertezas, que vamos ficar tristes e frustrados, talvez até ter vontade de desistir e não conseguir sair da cama. Mas que não só esses momentos vão existir. Todas as coisas no universos são pautadas no equilíbrio e assim será nossas vidas. A única questão é como lidaremos com isso. Eu escolhi tentar passar pelas ruins me apegando as boas e espero que isso dê certo (e que eu e você fiquemos bem).
*Ilustrações: @amandaoleander

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