O aumento da representatividade no Congresso

Dia 7 de outubro de 2018 foi uma data difícil para muitas pessoas, principalmente mulheres, negros, LGBTS, quilombolas e a população mais pobre; mesmo que nem todos esses entendam isso. Felizmente, a maioria de toda a região Nordeste fez um muro de enfrentamento ao ódio as minorias e o candidato Jair Bolsonaro não conseguiu se eleger no primeiro turno.

Assim, recebemos uma segunda chance e devemos resistir durante esses dias restantes até o segundo turno. Jogar a toalha agora seria um luxo diante de todos os direitos que podem ser tirados. Para acender os vossos corações e dar um gás nesse caminho árduo de resistência, separamos algumas notícias boas da eleição. Continue a leitura e confira os candidatos eleitos em diferentes lugares do Brasil que representam interesses das minorias.

JUNTAS 
Em Pernambuco foi eleito o primeiro mandato coletivo de deputadas estaduais. 39.175 pessoas escolheram uma camelô, trans, sapatão e jovem do interior (alô, Surubim), para que batam de frente com as injustiças sociais e assim, dizer não a retirada de direitos trabalhistas, lutar pelo fim do genocídio da população negra, pela vida da comunidade LGBT e garantir o direito dos povos indígenas e quilombolas. Representatividade importa!

TABATA AMARAL
Foi eleita deputada federal em São Paulo como a sexta mais votada e assim, apresenta-se como uma importante voz da periferia na zona sul de São Paulo, onde ela cresceu e obteve maior apoio eleitoral. Ela promete dialogar conectando-se com a sociedade e envolvendo causas como educação, empregabilidade, segurança pública, redução das desigualdades e combate à corrupção.
Tabata teve sua campanha financiada com dinheiro público, como os empresários Patrice Etlin da Advent, o publicitário Nizan Guanaes; Maurício Bittencourt, da gestora de recursos Velt etc. e totalizou 1,2 milhões de reais.
Entre as suas maiores propostas, ela cita a educação e se espelha em medidas educacionais que deram certo em Sobral – município cearense referência em educação – e fala em melhorar o salário dos professores.

ÁUREA CAROLINA
A 5ª deputada federal e mulher mais votada para o cargo em Minas Gerais promete ser uma importante voz de enfrentamento as injustiças sociais. Uma das suas pautas é a luta feminista e o racismo (Marielle, presente!). O que é fundamental frente as forças fundamentalistas e de ódio que também estarão presentes na política.
Sua votação não só foi alta como também foi quadruplicada. Em 2016 ela teve 17.420 votos, na eleição de domingo eles chegaram a 79.290. Áurea Carolina compõe dessa forma a bancada feminista do PSOL, que conta também com Cida Falabella e Talíria Petrone (a vereadora mais votada em Niterói nas últimas eleições).

JOÊNIA WAPICHANA
E se você queria mais representatividade, o Congresso Nacional a partir de 2019 terá a primeira indígena eleita. Joênia, escolhida como deputada federal em Roraima, ocupará uma das 8 cadeiras reservados ao estado na Câmara dos Deputados. Em toda a história, apenas outro indígena, Mário Juruna, em 1982, havia ocupado o cargo. Sua política foi responsável por criar a Comissão Permanente do Índio no Congresso.
Agora, Wapichana entra para ocupar essa lacuna deixada por ele e representar o movimento indígena, que perdeu 300 cargos da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) durante o governo de Temer e ainda há atrasos para as demarcações de terra. Em 2019, Joênia vai encarar um Congresso conservador em que 52 parlamentares são do PSL, partido de Bolsonaro. Porém, felizmente agora ela tem ao seu lado as mulheres que ocupam 15% das cadeiras. Mais uma vez: representatividade importa!

FABIANO CONTARATO
Se representatividade importa tanto assim... O Espírito Santo elegeu com mais de 1 milhão de votos o primeiro senador gay do país, que ainda por cima, desbancou Magno Malta, apoiador de Bolsonaro e um dos representantes da bancada evangélica.
 Fabiano é professor universitário, defende o casamento LGBT e alia o discurso de defesa da família, em todas as formas, ao de inclusão. Além disso, ele apoia o corte de privilégios políticos, Direitos Humanos e a Lei Maria da Penha.
Apesar disso, o senador possui algumas posições conservadoras. Mas as razões para criticá-lo são bem menores do que as de comemorar um candidato que desbancou Magno Malta, acusado de corrupção, nepotismo, apresenta discursos de tortura e perseguição.
 De uma forma geral, a Câmara dos Deputados terá em 2019 50% das mulheres a mais do que havia em 2015. Entre elas, muitas declaradas como feministas, a primeira indígena e 5 negras (aumentou o número de 10 para 13).
 Ainda assim, ainda temos muito o que lutar. Dia 28 de outubro, o fascista – candidato ao cargo político mais alto do país – pode ser eleito, e esses 20 dias até o segundo turno devem ser de muita resistência. Além disso, é preciso estar consciente de que mesmo que ele não saia vitorioso, ainda há muitos políticos com posicionamentos como os seus eleitos. Por isso: luta é verbo!
Então, existem alguns trabalhos de formiguinha que você pode fazer até o dia 28:

  • 1.Não saia dos grupos de família no Whatssap e desbloqueie os parentes e amigos dessa rede e do Facebook. A campanha acontece nas ruas e também nas redes, por isso é preciso ter paciência (eu sei) e dialogar nesse momento para tentar inverter os votos nulos e brancos (que corresponderam a cerca de 40 milhões) e os do adversário. 
  • 2.Denuncie fake news que receber para o TSE e compartilhe os conteúdos com as propostas do candidato Fernando Haddad para torna-las mais conhecidas. Mostre também a comparação de ambos os projetos dos candidatos ao seu ciclo familiar e de amigos.
  •  3.Converse com as pessoas sobre como o antipetismo não pode ser desculpa para votar nulo ou em um candidato fascista. Existem questões bem maiores em jogo e as consequências podem ser muito grave para o país, principalmente para as minorias. 
  • 4. Há também alguns atos que estão sendo organizados por grupos no Whatssap em cada cidade. Neles você recebe orientação, convite a panfletagem, disponibilização de material para compartilhamento e campanhas para cada um ajudar como puder.

 Se você mora na cidade de Caruaru – PE e ficou interessado em participar desses grupos, entre em contato comigo, eu posso ajudar.
Caso você saiba de mais exemplos de candidatos progressistas eleitos, sinta-se a vontade para falar deles aqui nos comentários. Além disso, também vale também compartilhar esse post com os amigx para ajudá-los a acessar o conteúdo. Vamos juntos?

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