Na Seleção de futebol as mulheres já são hepta. No cinema elas quebram recordes. Por que não falamos tanto sobre isso?

A Copa do Mundo acabou semana passada e deixou a maioria das pessoas com saudade do prazer que é ver o talento dos jogadores das 32 seleções. Mas peraí, alguém aqui sabe que a Seleção Brasileira de Futebol já é hepta no feminino da Copa América e ainda vai disputar a próxima Copa do Mundo, em 2019, e as Olimpíadas de Tóquio em 2020? Por que não valorizamos conquistas de mulheres tanto quanto valorizamos as dos homens?
Fomos criados dentro de um sistema patriarcal em que os homens detinham todos os privilégios sociais, enquanto as mulheres deveriam basicamente, serem as suas mães\esposas e cuidar das roupas que eles usariam para receber todos os biscoitos que conseguirem.
O futebol é só um dos vários exemplos dessa desvalorização do sucesso alcançado por mulheres, fruto de uma injustiça estrutural. Afinal, o Brasil é o país do futebol e é desrespeitoso com todo o mérito das jogadoras ouvirem que a história do país em relação ao esporte já é passado só porque a nossa Seleção masculina, infelizmente, ainda não levantou a taça do hexa.
Pois bem, a Seleção feminina, tal qual a masculina tem seus méritos e vitórias. Ela possui a melhor jogadora do mundo, Marta, eleita 5 vezes seguidas e já levantou a taça da Copa América 7 vezes seguidas. Tudo isso com pouquíssimo apoio de dirigentes, torcidas e imprensa

É preciso conhecer, apoiar, divulgar e enaltecer trabalhos feitos por mulheres. Já existe toda uma falha estrutural na sociedade que dificulta esse conhecimento e valorização. Que façamos a nossa parte e apoiemos trabalhos femininos tanto quanto os masculinos.
A seguir, alguns exemplos de realizações femininas que você precisa conhecer e\ou relembrar para que fique claro: mulheres podem fazer o que quiserem.

Mulheres que se reinventaram na indústria cinematográfica

Se você só a conhece os trabalhos de Reese Whiterspoon pela comédia romântica Legalmente Loira (que por sinal é ótima), precisa saber sobre a sua companhia, a Pacific Standard.
A atriz já foi estrela de alguns filmes de sucesso, além do citado, foi indicada a alguns importantes prêmios como o Globo de Ouro e o Oscar. Porém, quando ela chegou na faixa dos 30 anos, viu o que acontece com a maioria das atrizes dessa idade, não receber mais papeis relevantes. A maioria dos roteiros as colocam como esposa ou mãe de alguém, e somente isto.
Como solução, a atriz teve que criar as próprias oportunidades para continuar fazendo não só o que gosta, mas o que sabe que é talentosa. Em 2014, a produtora foi criada e desde sempre teve o objetivo de contar histórias de mulheres, das mais variadas origens e etnias, que não teriam espaço em outros meios para serem contadas.
Entre os sucessos da produtora podemos mencionar o filme Livre, baseado no livro de memórias homônimo da escritora Cheryl Strayed, em que Reese estrelou e foi indicada ao Oscar. Além do filme Garota Exemplar, inspirado no livro escrito por Gilian Flynn.
Porém, foi com Big Little Lies, minissérie baseada no best-seller de Liane Moriartyque sua carreira mudou completamente. A produção que levou importantes prêmios no Emmy e Globo de Ouro, conta a história de um grupo de mulheres na Califórnia e dar voz a temáticas importantes do universo feminino, como a violência sexual e doméstica.
Reese mudou o padrão da indústria cinematográfica, que é conhecida pela predominância de homens. Além de alterar o rumo da sua carreira, deu mais oportunidades de bons papéis as mulheres e colocou temas sensíveis em discussão. Tudo isso graças ao seu talento e privilégio, este último que muitas mulheres podem não ter.

Um outro exemplo de mulheres que teve a trajetória parecida com a de Reese é a cineasta Ava MarieDuVernay, que se destacou em um espaço onde não só mulheres, mas negros também são minorias.
Entre outras produções, Ava produziu o filme Selma, que focava na marcha de Selma a Montgomery pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, em 1965. O filme recebeu indicações de melhor filme e melhor canção original. Porém, a ausência do seu nome na categoria de melhor direção levantou um debate sobre o preconceito velado da indústria de cinema com mulheres, especialmente as negras.

Essa discussão sobre ausência de negros trabalhando na indústria cinematográfica permitiu que a cineasta conquistasse o espaço de direção em um projeto da Disney, tornando-se a primeira mulher negra a comandar uma produção de mais de 100 milhões de dólares em Hollywood. Em seu Twitter, Ava comemorou afirmando que, com certeza, não foi a primeira capaz.
Essa falta de reconhecimento foi investida na sua distribuidora, a atual ARRAY, que procura contar a trajetórias de pessoas negras, especialmente mulheres negras.

Mulheres importantes e esquecidas da história

Se pensarmos em personalidades históricas que estudamos no colégio e foram importantes para mudar o rumo da história, aposto que poucas serão mulheres, já que muitas delas foram ignoradas. Porém, existe um projeto chamado ''As Minas na História'', que visa recuperar, por meio de imagens e pesquisas bibliográficas, o protagonismo das mulheres que mudaram o mundo.
É válido dizer, o projeto foi criado por Sigrid Beatriz Varanis Ortega. A Bia tem 20 anos e é estudante da Universidade Federal da Integração Latina-Americana.
Um dos primeiros exemplos que citamos é Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. Uma brasileira nascida no Paraná que se mudou para a Alemanha na década de 30, já sob domínio de Hittler, e trabalhou no consulado brasileiro em Hamburgo.
Mesmo correndo risco, e por iniciativa própria, Aracy ajudou a salvar dezenas de judeus que puderam emigrar para o Brasil com a sua ajuda e escapar da perseguição nazista.
Ela é a única mulher citada no Museu do Holocausto, em Israel, entre os 18 diplomatas que salvaram os judeus de morte. Ainda assim, morreu esquecida, aos 102 anos, em 2011, vítima de Alzheimer.
Outro exemplo que devemos mencionar é Bertha Lutz, uma importante personalidade na luta pelos direitos das mulheres. Ela nasceu no Rio de Janeiro e entrou em contato com ideias feministas ao estudar na França, e reproduz isso na luta por direitos no Brasil.
Tornou-se a segunda mulher a prestar concurso público no Brasil, depois de uma batalha judicial, e fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher. Ela também, juntamente com outras mulheres, lutou para que um dos mais importantes colégios do Rio de Janeiro, Colégio Pedro II, aceitasse o ingresso de meninas.
Bertha Lutz nomeia algumas escolas e ruas no Brasil, mas suas conquistas e importância ainda são pouco conhecidas e comentadas. Até porque, no século XX, ano em viveu e atuou politicamente, o machismo era ainda mais forte do que é hoje. 
Como a lista é extensa, vou citar diversos nomes igualmente importantes para história que valem ser conhecidos, lembrados e pesquisados: Maria Quitéria, Maria Felipa de Oliveira, Clara Camarão, Jovita Feitosa, Bárbara de Alencar, Margarida Maria Alves, Carolina de Jesus, Dinalva Oliveira, Antonieta de Barro, Leolinda, Joana Angélica, Tereza de Benguela, etc.
Assim como o projeto Minas na História, existem outros no ramo da literatura e do cinema que visam valorizar trabalhos feitos por mulheres.
Um deles é o Leia Mulheres criado por Juliana Gomes, que divulga obras literárias femininas, já que na Academia Brasileira de Letras só haja 5 representantes mulheres, dos 40 existente. Sabemos que esse fato não ocorre por falta de talento ou interesse das mulheres, mas por elas terem tido seus papéis, na maioria das vezes, relegados a segundo plano. 
O outro projeto é o site criado pela jornalista Luísa Pécora, o Mulher no Cinema, que celebra as conquistas e divulga o trabalho feminino nas telas. 

Você precisa saber que a participação feminina nesse ramo tem uma porcentagem pequena em diferentes cinematografias. Na frente das telas, por exemplo, personagens femininas tem menos falas e mais cenas de nudez do que os masculinos, segundo estudos.
Outras formas de apoiar projetos femininos é por meio de financiamentos coletivos para ajudar artistas a crescerem no ramo e encontrarem seu público. Vale a pena conferir!
Outras mulheres de grandiosidade nacional e mundial que valem a pena serem mencionadas e\ou, caso você não conheça sobre seus trabalhos, pesquisar: Shonda Rhimes, Malala Yousafzai, Greta Gerwing, Viola Davis, Nátaly Nery, Amy Schumer, Djamila Ribeiro, Jout Jout, Luisa Classen (Lully), Louie Ponto, Serena Willians, Manuela D'Avila, etc. 

Você conhece artistas e\ou trabalhos femininos que merecem ser enaltecidos? Fala aqui nos comentários e nos ajude a ter acesso a eles! Se você, mulher, tiver algum projeto e quiser compartilhar com a gente, também é válido!

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