A moda é a própria revolução

Eu não era de me preocupar muito com roupa, achava que moda era algo sem importância e eu era preguiçosa demais para me importar com coisas pequenas. Mas hoje em dia, eu vejo a moda de um jeito diferente. Passei a ver a moda como uma forma de expressão artística muito grande. Mais do que isso, como uma pequena revolução, silenciosa e interna, mas poderosa.

Moda passou a significar para mim uma chance de experimentar diferentes facetas e mostrar um pouco do que eu estou sendo naquele momento. Poder colocar uma franja, uma sombra azul e um estilo de roupa que nunca tinha experimentado e conseguir enxergar outras versões de si mesma, de uma forma que agrade a você e não aos outros, é mágico. Sair da mesmice e conseguir dizer ‘’nossa, tô incrível’’, com um visual novo, é uma das mais lindas metáforas. Sem contar o quanto que a moda ajuda a gente a se descobrir.
Somos todos tão inexperientes e tudo que temos são um conjunto de primeiras vezes sem preparação nenhuma. Por exemplo, como a gente pode dizer que usar o corte Joãozinho é coisa de gente que só quer aparecer, se nunca experimentamos a praticidade e a sensação de assumir um risco e ir contra o padrão que diz que cabelo curto é masculino, por isso é feio na mulher?
Você conseguir ir de tênis em um lugar que todas as pessoas estão usando salto alto. Ir de calça onde todas estão de vestido. Usar cabelo curto quando todas usam cabelo comprido. Sair da padronização e se vestir de acordo com seus gostos. Tem que ser muito grande por dentro para conseguir fazer tudo isso, e ainda de uma forma transcendente. Inclusive, ta tudo bem também se você prefere usar cabelo longo, liso, usar vestido e salto alto. O importante é que seja porque você quer, e não porque você tem medo de experimentar algo diferente e que pode ser desaprovado pela maioria.
Mas eu acho que são pequenas revoluções como essas que ajudam a pôr leveza à vida, e que pode fazer algo difícil, como tomar uma decisão importante, parecer mais simples. Afinal, nada é mais importante do que ser quem você é. E falar quem nós somos em voz alta, ou usando o tipo de roupa que gostamos, é um ato de coragem que nos torna livres.
Falando em revolução por meio da moda, dá para pensar no Movimento Parentas Negras, em que homens e mulheres do grupo ostentavam sem modéstia seu cabelo black power, bem menos comum na época (anos 60), além de usarem casaco de couro preto e boina na cabeça, passando uma postura corporal militarizada através de suas vestimentas. Um jeito de provar que o negro é lindo e que não se deve ter vergonha nenhuma de assumir isso. Além de ser uma forma de solidificar a seriedade e o ideal revolucionário do partido.

É também uma pequena revolução como a personagem Rosa no filme Como Nossos Pais, que joga seu all star azul tanto usado, no lixo. Em uma cena simbólica mostrando que a personagem, apesar de adulta e madura, ainda tenta manter por meio do calçado parte de quem ela era. Mas agora, jogando o tênis no lixo, simboliza que ela ta aceitando ir para uma fase 2 e que quer encarar uma forma de viver ainda não experimentada.
Mas se alguma dessas experiências de estilo não der certo, tem sempre um removedor de maquiagem, o cabelo que cresce... Enfim, tem sempre um novo dia. Como diz a letra de uma das músicas de Los Hermanos ‘’Se o que sou, é também o que escolhi ser, aceito a condição’’.

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4 comentários

  1. Amei o texto, realmente é libertador poder usar o que você quiser, do jeito que se sente bem, eu também prezo muito isso, e concordei muito com o seu texto, e amei sabem alguns exemplos da história.

    Beijos, Gi.
    Blog About Girls

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  2. "JÁ QUE É PRA TOMBAR, TOMBEI!"
    A mulher deve sim se exaltar! Saber que é bela, que seu estilo empondera. Nada mais emponderador do que falar de moda, porque a moda reflete aquilo que somos, aquele quem somos de verdade. Eu uso o cabelo "joãozinho" a bastante tempo, no entanto, já disse a mim mesma que passarei por uma transição capilar e vou deixa-lo crescer. Até onde eu não sei ainda. Mas, vou deixa-lo ir crescendo. E eu não me arrependi em nenhum momento desde que cortei meu cabelo aos treze anos, ou por saber que meu estilo às vezes puxava um pouco para o masculino e mesclava com o feminino. E isso foi revolucionário para mim, porque foi ai que me descobri de verdade, que entendi quem eu era.

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  3. Adorei o post.

    O Blog da Fênix agora é Cobaia Amiga! Para comemorar a mudança estou sorteando um presentinho para uma leitora lá no blog: http://www.cobaiaamiga.com/2018/01/sorteio-kit-cabelos.html

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  4. Que texto massa! A moda pode ser sim um instrumento de libertação e de identidade!

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